Sempre me vi como uma criança mais gorda do que magra, embora quando veja fotografias da minha infância e
adolescência veja uma
criança e uma rapariga magra. Acho que só era gorda na minha cabeça.
A minha mãe era rigorosíssima com a minha alimentação. Não havia excessos em casa nem fora. Claro que eu, sempre que podia, comia. Nem sempre porque me apetecia, mas apenas porque tinha oportunidade. Mas acho que como a minha alimentação era controlada eu nunca engordei.
Em criança passava muitos fins de semana em casa da minha avó paterna, que aproveitava tudo o que podia para criticar a minha mãe, desde ao facto do meu irmão não querer ir e preferir ficar com a minha mãe, à nossa alimentação. (Os meus pais estavam divorciados e era nos fins de semana que cabiam ao meu pai que eu ia para a minha avó).
Eu adorava ir. Sentia.me uma
princesinha a quem faziam todas as vontades. Lembro.me de poder comer chocolates até vomitar. Excesso de rigor de um lado. Excesso de permissividade do outro.
Na
adolescência, e com a pressão da imagem que achava que deveria ter (e que tinha), alternava as minhas
compulsões (como não tinha doces em casa, chegava a fazer massa de biscoitos para comer crua) com dias seguidos sem comer e ia conseguindo controlar o meu peso, que andava à roda dos 50 (eu meço 1,52).
Quando me via a morar com o meu namorado e depois marido, que nunca me fez sentir mal por estar mais ou menos gorda foi o descalabro. Descobri um admirável mundo novo - o da culinária - mas o da culinária com natas, molhos, queijos, açúcar, doces, bolos, enfim, tudo o que me apetecesse. Não havia ninguém a dizer que estava a pôr muito molho no bife ou muito açúcar no leite e eu,
habituada a comer sempre que tinha oportunidade, comia.
Engravidei do Simão já gorda, não engordei muito durante a gravidez mas depois dele nascer sim. Dei por mim com 75 quilos (acho) e quando deixei de amamentar e depois de um aborto que me deixou muito em baixo, fiz a dieta da seiva. Durante uma semana era só seiva e nas duas semanas seguintes comia, depois voltava ao mesmo. Emagreci 13 quilos e engravidei da Helena, o que me fez parar com a seiva e
me deu permissão para comer. Mas mesmo assim, mais uma vez, não foi durante a gravidez que engordei mais, foi depois. Quando ela tinha cerca de seis meses e eu fiz 30 anos e pesava 77 quilos, achei que era altura de mudar. Procurei ajuda na Metabólica e apenas com
RA, pois ainda estava a amamentar e não pretendia parar. Estive lá mais de um ano e emagreci até aos 60 quilos. Consegui manter-me com 62, 63 até voltar a engravidar e a história se repetir. No Verão voltei a ter cuidado com a alimentação, por minha conta, mas comprometi-me comigo mesma que se não conseguisse até ao final do ano que procuraria ajuda. E foi o que fiz, como
entretanto deixei de amamentar procurei um médico do
Póvoas e estou à espera dos resultados. Há uma semana que cumpro o plano
certinho (só falhei no jantar de 5ª, mas era um dia especial e não tenho feito os disparates permitidos) e comecei ontem com os comprimidos.
Tentei resumir ao máximo, mas mesmo assim ficou grande de mais.